segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Lenda de Chico Rei

Chico Rei é um personagem lendário da tradição oral de Minas Gerais, Brasil. Segundo esta tradição, Chico era o rei de uma tribo no reino do Congo, trazido como escravo para o Brasil. Conseguiu comprar sua alforria e de outros conterrâneos com seu trabalho e tornou-se "rei" em Ouro Preto.



A história 

Chico Rei, nascido no Reino do Congo, chamava-se originalmente Galanga. Era monarca guerreiro e sumo sacerdote do deus Zambi-Apungo e foi capturado com toda a corte por comerciantes portugueses traficantes de escravos. Chegou ao Brasil em 1740, no navio negreiro "Madalena", mas, entre os membros da família, somente ele e seu filho sobreviveram à viagem. A rainha Djalô e a filha, a princesa Itulo, foram jogadas no Oceano pelos marujos do navio negreiro "Madalena" para aplacar a ira dos deuses da tempestade, que quase o afundou.
Todo o lote de escravos foi comprado pelo Major Augusto, proprietário da mina da Encardideira, e foi levado para Vila Rica como escravo, juntamente com seu filho. Trabalhando como escravo conseguiu comprar sua liberdade e a de seu filho. Adquiriu a mina da Encardideira. Aos poucos, foi comprando a alforria de seus compatriotas. Os escravos libertos consideravam-no "rei".
Este grupo associou-se em uma irmandade em honra de Santa Ifigênia, que teria sido a primeira irmandade de negros livres de Vila Rica. Ergueram a Igreja de Nossa Senhora do Rosário.
Chico Rei virou monarca em Ouro Preto, antiga Vila Rica em Minas Gerais no século XVIII, com a anuência do governador-geral Gomes Freire de Andrada, o conde de Bobadela.
No dia de Nossa Senhora do Rosário, ocorriam as solenidades da irmandade, denominadas Reinado de Nossa Senhora do Rosário. Durante estas solenidades, Chico, coroado como rei, aparece com a rainha e a corte, em ricas indumentárias, seguido por músicos e dançarinos, ao som de caxambus, pandeiros, marimbas e ganzás. Este cortejo antecede a missa.

Maurício Tizumba




                                         Apresentação




Artista preocupado em manter viva a cultura negra, especialmente as várias tradições de origem africana em Minas Gerais, que começou a ser desenvolvida no Brasil desde as primeiras décadas após a chegada dos escravos vindos do continente africano para o país, Maurício Tizumba começou sua carreira trinta e três anos atrás. Como um excepcional apoiador da influência afro nas artes, ele tem trabalhado para manter sua herança africana em seus trabalhos artísticos tais como a música, dança, TV, teatro e cinema. Influenciado por familiares que lutaram para manter viva na cultura brasileira algumas das celebrações africanas tradicionais, Tizumba tornou-se capitão da Guarda de Moçambique, um grupo que celebra o Congado – uma manifestação religiosa de origem africana envolvendo pantomímica que deriva de festivais de coroação africana com elementos europeus e são dedicadas à protetora tradicional dos negros no Brasil, Nossa Senhora do Rosário, e vários santos negros especialmente São Benedito e Santa Efigênia. As celebrações envolvem canto, dança, tambores, procissões de rua, bandas ao vivo e festejos em geral. A origem dessa celebração no Brasil vem do estado de Pernambuco e chegou em Minas Gerais em 1710, o qual tornou-se um dos mais importantes estados na preservação de sua história.

Músico, cantor, ator e compositor, Tizumba é um dos mais populares e completos artistas, com um estilo humorístico que lhe é peculiar, fazendo-o capaz de estabelecer uma relação de sinergia entre a platéia e o artista. Ele possui um carisma surpreendente, que sempre arrebata a atenção do público. Dono de uma técnica típica e sempre original em tudo o que faz é ainda capaz de, mesmo com sua arte multifacetada, ser coerente e persistente às suas crenças.

A criatividade ilimitada de Maurício Tizumba torna-o um artista genuinamente brasileiro que pode, também, ser visto como universal devido à sua força, sinceridade e avidez em preservar suas raízes africanas e disseminar sua arte pelo mundo.
Com mais de 33 anos de carreira, Mauricio Tizumba vem desenvolvendo importante trabalho na área da cultura negra em Minas Gerais e no Brasil.

Sergio Pererê





                                                                                  


                                                                     Sérgio Pererê

Natural de

Belo Horizonte-MG

Sobre

Um dos compositores mais significativos da MPB, Sérgio Pererê possui os CDs solos e autorais "Linha de Estrelas" (2005), "Labidumba" (2008) e Alma Grande, Ao Vivo (2010).


Biografia

Iniciado na música ainda na infância, possui formação autodidata e muito cedo chegou a ter contato com grandes músicos, como o baterista Robertinho Silva e o percussionista Marcos Suzano. Influenciado pelo blues e rock progressivo, mas sem perder as raízes afro-brasileiras, liderou a banda Avone, trabalho no qual exercitou seu talento enquanto compositor. Mais tarde, fez experimentações na área da MPB ao lado dos violonistas Meliandro Gallinari e Rafael Trapiello e da flautista argentina Andréia Cecília Romero. O quarteto formava o Grupo Pedra de Tucum, que interpretava, além de canções próprias, clássicos da MPB.

Atuou como solista no espetáculo "Fogueira do Divino", assinado por Tavinho Moura e Fernando Brant, ao lado de Sérgio Santos, Marina Machado, Claudia Vale, Alda Resende, Mariana Brant, Toninho Marra, Geovanne Sassá e Santonne Lobato, sob a regência do Maestro Nelson Aires.

Desde 1995, junto com Santonne Lobato e Giovanne Sassá forma a banda Tambolelê, com a qual lançou dois discos e já se apresentou nas principais cidades do Brasil e diversos países das Américas e Europa. Da banda, surgiu o Bloco Oficina Tambolelê, que tem sido um dos grandes destaques em Minas Gerais no trabalho sócio-cultural com jovens de periferias.

Ao lado de Wagner Tiso no Rio de Janeiro, em 2002, viveu uma grande realização em sua carreira como cantor ao interpretar as canções para Chico Rei e Santa Efigênia, anteriormente gravadas por Milton Nascimento. Como um dos compositores mais significativo das novas linhagens da MPB, Sérgio Pererê possui os CDs solos e autorais "Linha de Estrelas" (2005), "Labidumba" (2008) e "Alma Grande" (2010). Admirado por diversos artistas do cenário nacional, já teve suas composições gravadas por Ceumar, Regina Souza, Titane, Eliana Printes, Anthônio e Mauricio Tizumba, além de ser cantado por grandes nomes como João Bosco, Milton Nascimento, Chico César, Vander Lee e Fabiana Cozza, sambista paulistana que gravará canções do compositor no seu próximo disco.

No teatro, Pererê ainda foi ator-cantor nos espetáculos "Besouro, Cordão-de-Ouro" e "Bituca - O Vendedor de Sonhos", em homenagem a Milton Nascimento, ambos dirigidos por João das Neves e que excursionaram por diversas capitais do Brasil.

Local atual

Belo Horizonte

Algumas Músicas  

  1. Aroeira
  2. Contador de Histórias
  3. Curi-Curi
  4. Estrela Das Estrelas
  5. Estrela Maior
  6. Estrela natal
  7. Labidumba
  8. Mago do Oriente
  9. Mais Samba e Menos Lágrimas
  1. Mais Uma Dose de Poesia
  2. Na Fé
  3. Nem a Dor
  4. Samambaia
  5. Sovone Aoshaia
  6. Terra e Lua
  7. Terra Que Gira
  8. Velhos de Coroa
  9. Vento e chama


























domingo, 11 de setembro de 2011

Entrevista com a Sra Expedita





No dia 08 de setembro, as alunas Núbia, Gabriela e Reidianara, da turma 32-A, foram visitar a Sra Expedita, que participa do congado do Jatobá desde seus 9 anos de idade. Veja agora a entrevista.



Nome: Expedita

Idade: 83 anos







O que é o Congado pra você? O que ele representa na sua vida?



“Uma religião. Têm muitas pessoas que acham que o Congado é uma diversão, uma folia, que a gente gosta de pular. Eu participo por devoção, creio nisso, mas tem muitas pessoas que participam por diversão.”

Há quanto tempo você faz parte do congado?

“Desde os meus 9 anos de idade. Eu comecei ajudando na cozinha, com o café e comida, e também ajudava à olhar as crianças.”

O que mudou no Congado? Como você se sente com essas mudanças?

“Antigamente era mais simples. Não tinha tantas fantasias, colares. Nos tempos dos escravos, do jeito que eles saiam do trabalho, iam festejar. Quando os senhores os ‘liberavam’ eles iam pra senzala, e começavam a dançar, eles adoravam uma pedra, ainda não havia a imagem de Nossa Senhora. Eu acho que é bom, porque hoje é tudo mais colorido, bonito, chama mais atenção das pessoas. Antes ninguém gostava, achavam que era macumba, mas a partir de um governo, que eu não me lembro qual foi, eles decidiram que a festa tinha que ser popular, conhecida folcloricamente. Agora a festa acontece em vários lugares. ”

Mais alguma pessoa na sua família participa do Congado?

“Sim. Toda geração. Minha mãe era dona do Congado aqui. Toda a minha família participa: meus tios, irmãos, avós, pai, mãe... Pra nós, é uma religião.

Qualquer pessoa pode participar do congado?

“Pode. Antes, eram só os negros. Hoje, se você gostar, quiser participar, é só falar com o capitão, ou com o dono que eles anotam seu nome e você pode participar.”

Em quais datas acontece o Congado?

“No último sábado de agosto e em maio. Em outubro, é o mês da Nossa Senhora do Rosário, então também acontece a festa. Essas datas são escolhidas pelos santos em que nós acreditamos.”

Por que as pessoas que participam do congado, usam cores de roupas diferentes?

“Cada guarda tem uma cor. Por exemplo, os que se vestem de azul, Congo. Os que se vestem de branco, Moçambique.”

Atualmente, qual sua participação no Congado?

“Hoje eu voltei a trabalhar na cozinha. Eu ajudo com o café e a comida para os congadeiros. Há 5 anos não pulo congado, desde que meu marido ficou doente.”

Como são escolhidos o Rei e Rainha da festa?

“Qualquer pessoa pode ser mas ela vai ter que pagar todas as despesas da festa do ano. É só avisar o capitão, ele vai anotar seu nome, e você será. A pessoa também pode fazer um voto, por exemplo, se alguém estiver doente, ela faz um voto, e se essa pessoa for curada num determinado tempo, ela poderá explicar para o capitão a história, e então a pessoa que fez o voto será o rei ou a rainha. Eu já fui rainha da festa, tinha uns 32 anos na época.”


Conversa com José Apolinário



          Em uma conversa com José Apolinário, algumas alunas da turma 32-A, conseguiram coletar importantes informações sobre o congado, que veremos a seguir.

         José Apolinário entrou para a Comunidade de Nossa Senhora do Rosário com 10 anos através de sua família. Ele hoje está com 70 anos, e durante todo esse tempo, participa do congado.

  


  •          A Comunidade de Nossa Senhora do Rosário existe há mais de 130 anos, quando ainda habitavam escravos em Belo Horizonte, na região do Jatobá.



  •    O congado surgiu através dos negros vindos da África para o Brasil.
   
  •          As roupas que eles usam são em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, que é padroeira dos negros. As cores são:  azul, braça e rosa.

  •         As fases do congado são: aspirante (pessoas que dançam); coxeiro (que tocam as caixas); fé de guia (que guia as pessoas durante a passada do congado); capitão (que comanda tudo).



O Congado - Origem


O que é?



O congado é uma manifestação cultural e religiosa de influência africana celebrada em algumas regiões do Brasil.

Trata basicamente de três temas em seu enredo: a vida de São Benedito, o encontro de Nossa Senhora do Rosário submergida nas águas, e a representação da luta de Carlos Magno contra as invasões mouras.

Origem

A lenda de Chico Rei revela que a origem das festas do Congado está ligada à igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Segundo a lenda, Francisco, escravo batizado com o nome de Chico - Rei, era imperador do Congo e veio para Minas Gerais com mais de 400 negros escravos.
Na sofrida viagem, Francisco perdera a mulher e os seus filhos, sobrevivendo apenas um. Chico Rei instalou-se em Vila-Rica trabalhou nas minas e somando o trabalho de domingos e dias santos, conseguiu realizar a economia necessária para comprar a sua alforria e a do filho. Chico Rei dançou na igreja para comemorar a alforria.
Posteriormente, obteve a alforria de seus súditos de nação e adquiriram a mina da Escandideira. Casou-se com uma nova rainha e o prestígio do “rei preto” foi crescendo.
Organizaram a irmandade do Rosário e Santa Efigênia e construíram a igreja do alto da santa cruz. Por ocasião da festa dos Reis Magos, em janeiro, e na de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, havia grandes solenidades generalizadas com o nome de “Reisados”.
Nestas solenidades, Chico Rei coroado, antes da missa cantada, aparece com a rainha e a corte, vestido de ricos trajes; e seguidos por dançarinos e músicos. Os batedores, na festa, seguem com caxambus, pandeiro marimbas, canzás em intensas ladainhas.
O congado também é conhecido como “congada” ou “congo”, um festejo popular religioso afro-brasileiro mesclado com elementos religiosos católicos, com um tipo de dança dramática na coroação do rei do Congo, em cortejo com passos e cantos, onde a música é o “fundo musical” da celebração.
É um movimento cultural sincrético, um ritual que envolve danças, cantos, levantamentos de mastros, coroações e cavalgadas, expressos na festa do Rosário plenamente no mês de outubro.
São utilizados instrumentos musicais como cuíca, caixa, pandeiro e reco-reco, os congadeiros vão atrás da cavalgada que segue com uma bandeira de Nossa Senhora do Rosário.Na antiga capela de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos,inaugurada no início do século XVIII, até ser completada em 1750, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, como já citado,para zelar e cuidar das tradições da santa padroeira dos escravos.No fim do festejo coroa-se o rei e a memória de uma cultura afro-brasileira.

O culto

O congado, também chamado de congo ou congada mescla cultos católicos com africanos num movimento sincrético. É uma dança que representa a coroação do rei do Congo, acompanhado de um cortejo compassado, cavalgadas, levantamento de mastros e música.Os instrumentos musicais utilizados são a cuíca, a caixa, o pandeiro, o reco-reco,o cavaquinho,o tarol,o tamboril,a sanfona ou acordeom. Ocorre em várias festividades ao longo do ano, mas especialmente no mês de outubro, na festa de Nossa Senhora do Rosário. O ponto alto da festa é a coroação do rei do Congo.Na celebração de festas aos santos, onde a aclamação é animada através de danças, com muito batuque de zabumba, há uma hierarquia, onde se destaca o rei, a rainha, os generais, capitães, etc.São divididos em turmas de números variáveis, chamados ternos ou guardas . Os tipos de ternos variam de acordo com sua função ritual na festa e no cortejo: Moçambiques, Catupés, Marujos, Congos, Vilões,contra-danças,ternos femininos e outros.